De joelhos para te receber
Encontrava-me deitada na nossa cama de dossel, a nossa pequena concha de outrora...
Esperava pela tua chegada algo que mudara muito ao longo dos anos.
Em tempos colocava a mais bonita camisa de dormir esperando pelo barulho do teu carro.
Agora aqui estou eu, esperando que entres a correr pelos corredores, trazendo contigo a nossa pálida e agridoce menina. Dessa mudança só colhemos os frutos podres da fraca semente que plantamos.
Arrastei-me pelos lençóis, esperançosa retirava o tecido que a protegia, cuidadosamente endireitava-a e preparava-a para dormir connosco. Para nos tirar toda a dor, para nos lembrar a felicidade, coisa que só ela conseguia fazer por nós.
Assim ela se transformou no nosso mundo, pois só na sua presença nos suportavamos.
Porém nesse nesse dia, ela não estava presente, chegara lentamente, chegara tarde demais.
Ele abriu a porta, pela maneira como a abria, o dia tinha corrido bastante mal, sinal que a mim me fazia estremecer o corpo e este encolhia todos os seus músculos como mecanismo de defesa.
Sentaste-te a meu lado fitando-me como um alvo.
Puxaste-me pelo braço para junto de ti.
Eu sabia.
Sabia que havia chegado a hora, hora de pôr alívio à tua dor, hora de me ajoelhar perante o mestre que me havia lançado a este mundo de estrelas.
Era minha obrigação saudar a tua chegada.
E assim manter-te entretido até expulsares um pouco de vida que nunca me fecundará.
O teu objecto de entretenimento movia-se sofregamente, até sentir o meu toque, que a seu jeito intensificava aquela avalanche veloz que o cobria por completo, sendo para mim uma avalanche de náuseas.
Com deleite molhavas os lábios em sinal para que me apressasse.
Ao recusar o teu pedido mostraste-me como sobe e desce, rápida e bruscamente, o que pode ser bom para uns e para outros pode ser o mais repugnante dos actos.
Esclodiste finalmente para mim e eu deixei engolir o meu orgulho.
Atirei-me de costas para a cama, atirei-me de costas para ti.
Apoiada no mais macio e fofo algodão sentia o amargo sabor que me corroía a garganta.
E tu acendias um dos teus amigos de fumo para descontrair.
Recebias de braços abertos aquilo a que chamavas a minha oferenda como tua, como mulher, como meu dever, como o mais natural do mundo.
E no mais sugado e salivado gesto eu te recebia como quem diz: Bem vindo a casa.
Esperava pela tua chegada algo que mudara muito ao longo dos anos.
Em tempos colocava a mais bonita camisa de dormir esperando pelo barulho do teu carro.
Agora aqui estou eu, esperando que entres a correr pelos corredores, trazendo contigo a nossa pálida e agridoce menina. Dessa mudança só colhemos os frutos podres da fraca semente que plantamos.
Arrastei-me pelos lençóis, esperançosa retirava o tecido que a protegia, cuidadosamente endireitava-a e preparava-a para dormir connosco. Para nos tirar toda a dor, para nos lembrar a felicidade, coisa que só ela conseguia fazer por nós.
Assim ela se transformou no nosso mundo, pois só na sua presença nos suportavamos.
Porém nesse nesse dia, ela não estava presente, chegara lentamente, chegara tarde demais.
Ele abriu a porta, pela maneira como a abria, o dia tinha corrido bastante mal, sinal que a mim me fazia estremecer o corpo e este encolhia todos os seus músculos como mecanismo de defesa.
Sentaste-te a meu lado fitando-me como um alvo.
Puxaste-me pelo braço para junto de ti.
Eu sabia.
Sabia que havia chegado a hora, hora de pôr alívio à tua dor, hora de me ajoelhar perante o mestre que me havia lançado a este mundo de estrelas.
Era minha obrigação saudar a tua chegada.
E assim manter-te entretido até expulsares um pouco de vida que nunca me fecundará.
O teu objecto de entretenimento movia-se sofregamente, até sentir o meu toque, que a seu jeito intensificava aquela avalanche veloz que o cobria por completo, sendo para mim uma avalanche de náuseas.
Com deleite molhavas os lábios em sinal para que me apressasse.
Ao recusar o teu pedido mostraste-me como sobe e desce, rápida e bruscamente, o que pode ser bom para uns e para outros pode ser o mais repugnante dos actos.
Esclodiste finalmente para mim e eu deixei engolir o meu orgulho.
Atirei-me de costas para a cama, atirei-me de costas para ti.
Apoiada no mais macio e fofo algodão sentia o amargo sabor que me corroía a garganta.
E tu acendias um dos teus amigos de fumo para descontrair.
Recebias de braços abertos aquilo a que chamavas a minha oferenda como tua, como mulher, como meu dever, como o mais natural do mundo.
E no mais sugado e salivado gesto eu te recebia como quem diz: Bem vindo a casa.