Prisioneiros da Liberdade
Aquela espécie de sala mal iluminada era a minha nova "casa".
Tinha o que era considerado para o seu proprietário, o necessário para habitar nela.
As luzes intermitentes eram preenchidas por insectos que ainda lhe davam importância, era a única claridade que podia obter, não possuía qualquer tipo de mobília e as paredes daquele espaço haviam ficado pela ultima de-mão de cimento, o que a tornava gélida e mais escura ainda.
Estive inconsciente por algumas horas, até um grito de desespero ecoar por todos os cantos, despertando-me para a realidade.
Não conseguia identificar o ser que o produzia, apenas sentia a léguas o fedor do medo que saía por todos os seus poros.
Sentia-me fraca, porém decidi mover-me, logo que o fiz as correntes que me prendiam trilharam a minha pele, olhei em volta para saber que raio de "quarto" me teriam arranjado, pelos vistos um suficientemente forte para combater o meu ódio instintivo e animal, o único que me poderia dar forças para fugir, por isso fora-me cedida uma jaula, não uma qualquer, pelo odor já teria sido usada por outras pessoas, talvez para os mesmos fins.
Todavia a solução era conformar-me por agora, permaneci imóvel, aguardando pelo autor de tudo aquilo, junto de um outro alguém que ainda lutava contra as correntes num estado já irracional de coragem e medo simultaneamente, um estado perigoso que eu esperava não atingir.
Concentrava os meus ouvidos no tilintar dum par de chaves, como qualquer outro prisioneiro nos seus primeiros dias...