Terapia Incomum

As luzes iluminam a tão agora usada sala, a música de fundo são cadeiras arrastando-se até, formarem novamente o circulo.
Novamente "o líder" senta-se e observa os restantes membros que se encontram sentados na sala.
Como habitual Krista acende o primeiro de uma média 5 a 7 cigarros que ardem em cada sessão.
Com 26 anos, Krista já possuí o tal estado 'obsessivo-compulsivo' avançado, em pequena como muitos casos no geral, esta jovem sofre o tão comum complexo de electra, porém ao invés de ser apenas um fase passageira a obsessão levou-a a cometer actos graves para a sua idade.
Algo que revelará mais tarde nas suas sessões.
Do outro lado da sala, o ritmo começa. É Dimitri quem o marca com as suas velhas botas pretas de cabedal, enquanto mordisca a unha do seu dedo indicador, muito desinteressado.
Para além de Krista e talvez um ou outro membro, é o único que ainda tem confiança em si mesmo para me olhar nos olhos, mesmo quando as minhas palavras atingem finalmente, o fundo escuro das suas almas.
- Bem, vamos começar a sessão de hoje! Alguém quer começar?
Olho em redor daquela sala fedendo a mofo e tabaco, rodeada de viciados, obcecados, torturados, loucos.Só seriam normais aos olhos da sociedade, quando fingissem que todas as suas memórias, acções e hábitos nunca tivessem existido antes, essa era cura para lá dos comprimidos, consultas, analises, salas de convívio e tão típicas frases que os poucos amigos, familiares ou cônjuges que os visitam ainda proferiam: "Tens de te curar!".
Uma tarde quando o filho de Sue foi visita-la e mais uma vez proferiu tal frase, ela ergueu-se do sofá apoiando as suas mãos trémulas nos braços do sofá e fitou o filho com o seu olhar moribundo proferindo:
- Cura? Que eu me recorde não sofro de cancro!
O silêncio como sempre era o primeiro testemunho dado na sala. Era necessário aquele que aos olhos dos "incompreendidos" era o chato, o mau, o pago para dizer que eram loucos começar o diálogo.
- Ninguém tem nada para contar hoje? Que novidade.. (Digo com algum sarcasmo)
- Eu tenho! (Afirma uma jovem que se encontra sentada ao lado de Dimitri)
- Ahh, uma estreia! Pode começar..
- Não quero estar aqui!
- Não sou louca. Sou diferente. (Responde com um ar sério)
É assim que todos começam a sessão! Com a diferença...
Existirá cura para tal? Cura para a diferença?